sábado, 19 de fevereiro de 2011

Idolatria por Darrin Patrick - Parte 06



Ídolos Fonte

Enquanto os ídolos de superfície são mais rapidamente entendidos e mesmo reconhecidos por muitas pessoas, ídolos fonte, por natureza, são mais subversivos. De acordo com Kaufman, ídolos fonte incluem conforto, aprovação, controle e poder.[1]Estes são os ídolos que dirigem todas as demais idolatrias de nossas vidas. Estes ídolos estão de acordo tanto com os ensinamentos de Jesus[2] quanto com a obra Teoria de personalidade de Alfred Addler.[3]

O gráfico de Kaufman descreve: (1) O que buscamos (o ídolo fonte); (2) o preço que estamos dispostos a pagar para obtermos o ídolo; (3) nosso maior pesadelo e como outros se sentem quando estamos servindo ao ídolo; e (4) nosso problema emocional que revela o ídolo. A linguagem “a vida só tem significado/ Eu só tenho valor se...” é um pouco hiperbólica, mas cumpre o seu objetivo de fazer com que os leitores examinem seus corações.

Para trazer estes ídolos fonte à realidade, eu gostaria de examinar cada um deles através da lente de uma metáfora consistente que é familiar a todos nós – o dinheiro. Com cada ídolo fonte listado abaixo, iremos listar o que está sendo buscado através do ídolo, o preço que nós estamos dispostos a pagar em nossa adoração a ele, o maior medo que o alimenta, o impacto que ele tem naqueles que estão mais perto de nós, o problema emocional associado com ele, e qual o papel que ele desempenha no contexto da metáfora do dinheiro.

Idolatria do conforto: “A vida só tem sentido/ Eu só tenho valor seu eu tiver este tipo de experiência de prazer, ou um estilo de vida em particular”.
O que buscamos: conforto (privacidade, ausência de stress, liberdade).
Preço que estamos dispostos a pagar: redução de produtividade.
Maior pesadelo: stress, cobranças.
Os outros muitas vezes se sentem: machucados.
Problema emocional: tédio.
Com relação ao dinheiro: Pessoas que lidam com a idolatria do conforto ganham e gastam o dinheiro em uma tentativa de se isolarem das necessidades dos outros e das demandas da vida cotidiana. Elas evitam o tédio a todo custo; de forma que eles estão continuamente comprando novos aparelhos e brinquedos e investindo pesado em seus hobbies e outras distrações do cotidiano.

Adoradores do conforto enxergam outras pessoas, mesmo aquelas próximas a eles, como obstáculos em potencial para o seu conforto. Por isso, não é surpreendente o fato de não conseguirem estabelecer relacionamentos autênticos com facilidade e como resultado eles só investem em relacionamentos que lhes pareçam prover uma proteção confiável contra problemas.

Idolatria da Aprovação: “A vida só faz sentido/ Eu só tenho valor se eu for amado e respeitado por ______________________”.
O que buscamos: aprovação (afirmação, amor, relacionamentos).
Preço que estamos dispostos a pagar: menos independência.
Maior pesadelo: rejeição.
Os outros muitas vezes se sentem: adulados.
Problema emocional: covardia.
Com relação ao dinheiro: Todos nós nascemos com o desejo de sermos amados. Este desejo é saudável e natural. O problema das pessoas com o ídolo da aprovação, entretanto, é que elas não se satisfazem com o amor de Deus por elas e buscam amor e afirmação daqueles que elas consideram importantes. Assim, pessoas que idolatram a aprovação vão fazer praticamente qualquer coisa para fazer alguém que elas amam feliz, inclusive gastar excessivamente como uma forma de, literalmente, comprar a aceitação dos outros. Elas também podem usar seus rendimentos como forma de fazer com que alguém importante para elas fique orgulhoso de suas realizações. Idólatras da aprovação muitas vezes se comprometem, prometem e afirmam além de suas capacidades de cumprir ou da realidade dos fatos a fim de ganhar a aprovação dos outros. Elas são extremamente inseguras em sua identidade em Cristo e tem medo da rejeição das pessoas mais do que temem o ódio que Deus tem do pecado. Isto as leva a se preocuparem com o que os outros pensam sobre elas. Muitas vezes, aqueles mais próximos das pessoas que lidam com idolatria da aprovação se sentem sufocados pelas necessidades do idólatra, cujos desejos de ser amado não podem ser supridos de forma realística por qualquer ser humano.

Idolatria do Controle: “A vida só faz sentido/ Eu só tenho valor se eu for capaz de controlar minha vida na área ___________________”.
O que buscamos: controle (autodisciplina, certeza, padrões).
Preço que estamos dispostos a pagar: solidão, espontaneidade.
Maior pesadelo: incerteza.
Os outros muitas vezes se sentem: condenados.
Problema emocional: preocupação, ansiedade.
Com relação ao dinheiro: Despreocupação à parte, aqueles que idolatram o controle são, muitas vezes, obcecados por fazer as coisas acontecerem exatamente como eles planejaram e muitas vezes pagam por isso com ansiedade e preocupações profundas. O mantra de um verdadeiro idolatra do controle é: “Se quero que isso saia bem feito, devo fazer eu mesmo”, eles também podem dizer com frequência: “É do meu jeito, ou não tem jeito”.
É possível perceber isso na visão que essas pessoas têm do dinheiro. Pessoas que lidam com idolatria do controle sabem onde cada centavo é gasto, e muitas vezes se sentem justificados pela forma como controlam suas finanças e olham com desprezo para os que não agem da mesma forma.
Rico ou pobre, a idolatria do controle traz a ansiedade. “Será que vou ganhar o suficiente?” ou “Será que estou guardando o suficiente?” são perguntas comuns daqueles que adoram o controle.
As marcas da adoração ao controle se tornam mais óbvias quando a mudança ou eventos inesperados, como recessões econômicas, ameaçam arruinar os planos do idolatra.

Idolatria do Poder: “A vida só faz sentido/ Eu só tenho valor se eu tiver poder e influencia sobre os outros”.
O que buscamos: poder (sucesso, vencer, influencia)
Preço que estamos dispostos a pagar: se sobrecarregar, responsabilidade.
Maior pesadelo: humilhação.
Os outros muitas vezes se sentem: usados.
Problema emocional: ira.
Com relação ao dinheiro: Alguém que adora o poder busca sua identidade na competição – quanto mais feroz for a disputa melhor. Não há nada de errado com competição; na verdade ela pode ser de grande ajuda, especialmente, creio eu, na vida dos homens. Mas lembre-se que toda idolatria consiste em tornar coisas boas que Deus nos deu como presentes em fontes de identidade. Neste caso, a coisa boa é a competição ou o desafio; mais exatamente é a vitória. Entretanto, outra forma de descrever os adoradores do poder é dizer que a motivação básica deles para a vida nem é tanto vencer, quanto é evitar perder. Com relação ao dinheiro, a pessoa que adora o poder é guiada a ganhar mais e determinada a gastar mais do que qualquer outro. Estas pessoas podem desenvolver um vício por apostas, curtindo o desafio embutido nos jogos de azar. Está tudo bem com adoradores de poder enquanto eles estiverem vencendo. Mas a perda expõe sua profunda insegurança. Perder traz ira, muitas vezes acompanhada de ofensas verbais ou mesmo físicas. Perder pode fazer com ele “se odeie” ou desdenhem daqueles que lhe impediram de vencer. Os que se relacionam de perto com adoradores do controle com frequência se sentem usados, desvalorizados e exaustos com este ciclo pra cima e pra baixo de vitórias e derrotas.

No mesmo momento alguém pode estar funcionando com base em diversos “ídolos fonte”; entretanto, em última análise, eu acredito que exista um deles que seja central. Um deles guiará a maioria dos outros pecados e idolatrias da vida deste alguém. Ídolos fonte são a raiz, e ídolos de superfície são o fruto.


[1] Kaufman, seguindo Keyes, os chama de ídolos distantes
[2] Cada um deles figura de forma proeminente no Sermão do Monte (Mateus 5-7). Muito do ensino de Jesus é sobre a necessidade humana de aprovação (5.3-10; 6.2-4, 14-15), poder (6.19-24), controle (6.25-34) e conforto (7.7-11).
[3] Um dos derivados da obra de Addler é o DISC perfil de personalidade; http://www.discprofile.com/whatisdisc.htm

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Extraído do livro Church Planter por Darrin Patrick, ©2010, capítulo 12. Usado com permissão da Crossway, um ministério de publicações da Good News Publishers, Wheaton, IL 60187,www.crossway.orgProibida a reprodução sem autorização prévia.
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1 comentários:

marina disse...

gostei mto... nunca tinha pensado na diferença entre os idolos fonte e os frutos, como causa e consequencia... bjos amoorr... te amo!

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