Quando Jesus veio e começou a declarar o Reino de Deus, ele proclamou a todos que o ouviam na Galileia: “Arrependam-se e creiam nas boas novas”.[1] Esta é a essência do que significa ser um seguidor de Cristo: se arrepender e crer no evangelho. Esta é a chave para remover os ídolos de sua vida e instalar Cristo no centro do seu ser. Eu penso que este modelo visual nos ajuda a entendermos como destronar a idolatria e exaltarmos a Cristo em nossas vidas.[2]
No topo deste trampolim modelo, nós vemos os dois pilares do evangelho: somos totalmente pecadores e incapazes de remediarmos nossa condição, mas somos totalmente aceitos por Deus por causa da obra de Cristo.[3] As duas setas representam como podemos nos apropriar do evangelho em nossas vidas – se arrependendo do pecado e colocando a nossa fé em Cristo.
No arrependimento precisamos fazer três coisas com o pecado: precisamos vê-lo, reconhecê-lo como nosso, e darmos as costas para ele. Ver o pecado significa entender que ele é grave para Deus e hostil para com a lei de Deus.[4] Para reconhecermos nosso pecado específico, precisamos não apenas ver o pecado como um erro genérico, mas precisamos reconhecer que nós pecamos específica e definitivamente. Significa assumir a responsabilidade não apenas por quebrar a lei, mas reconhecer que somos “quebradores da lei”. Finalmente, damos as costas para o nosso pecado; ou seja, nós o abandonamos.[5] A idolatria acontece damos as costas para Deus e nos voltamos totalmente para o pecado. O Arrependimento acontece quando damos as costas para os nossos ídolos e nos voltamos completamente para Deus.[6]
Usando a imagem do trampolim, arrependimento pode ser comparado a tentar dar um “pulo duplo” em alguém que esteja com você no trampolim. Quando você quer lançar seu amigo pelas alturas, ou para o pronto socorro, você precisa ir bem fundo. O mesmo acontece com o arrependimento, nós precisamos ir fundo a fim de darmos as costas não apenas aos nossos ídolos e pecados de superfície, mas também aos nossos ídolos fonte, as coisas que dirigem a maioria dos outros pecados e idolatrias de nossas vidas. Um marco do arrependimento é que começamos a ver que somos pecadores maiores do que pensávamos. As más notícias são na verdade piores do que pensamos.
Entretanto, as boas notícias são melhores do que pensávamos. Apesar de no arrependimento nós vermos que somos pecadores maiores do que pensávamos, através da fé no evangelho nós vemos que Jesus é um Salvador maior do que pensávamos. “Arrependimento só pode ser genuíno e duradouro quando o pecador percebe que a misericórdia de Deus está disponível para ele”.[7]
Ao começarmos a abraçar nossa aceitação em Cristo, nós vemos que não precisamos ser perfeitos nesta vida porque Jesus foi perfeito em sua vida por nós. Não precisamos aceitar a condenação de Satanás ou pensar que Deus está nos punindo por causa do nosso pecado porque Cristo morreu e levou toda a ira e a punição de Deus por nós. Então, porque estamos em Cristo,[8] a vida perfeita de Cristo e a morte expiatória substituem constantemente nossa vida imperfeita e nossa punição merecida. Devida a esta realidade, quando Deus olha para nós Ele vê o Seu Filho, pois a nossa vida está “escondida com Cristo em Deus”,[9] e nossa vida com Deus é vivida pela fé à medida que a vida de Cristo é vivida em nós.[10]
O caminho para lidar com o pecado e a idolatria é se arrepender deles e crer no evangelho.[11] A principal tentação de Satanás é a de nos convencer de que somos metade do pecador que realmente somos e que temos metade da aceitação de Cristo que realmente temos.[12] Na primeira carta de Paulo para a igreja de Tessalonica, Paulo elogia a igreja pela forma como eles “se voltaram para Deus, deixando os ídolos a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro”.[13] Que isto seja dito sobre nós e sobre as nossas igrejas ao nos arrependermos e crermos no evangelho.[14] Encerraremos este capítulo e seção comas palavras do Jack Miller: “Quanto mais você sabe que está ensopado de impulsos egoístas, quanto mais você consegue ver como você vai contra a vontade do Senhor, mais você vai até Cristo como um pecador sedento que encontra limpeza profunda, mais vida e maior alegria através do Espírito”.[15]
[1] Marcos 1.15
[2] Eu desenhei este modelo ao ouvir Kaufman descrever como nos arrependemos e cremos no evangelho pulando em um trampolim.
[3] Lutero se referiu a esta realidade com simul justus et peccator – justos e pecadores ao mesmo tempo. Isso se refere à realidade de que quando estamos em Cristo, temos o pecado habitando em nossas vidas, mas estamos vestidos com a justiça de Cristo o tempo todo.
[4] Romanos 8.7.
[5] A palavra grega para arrependimento, metanoia, significa literalmente “mudar a mente de alguém”.
[6] Eu amo as palavras de Jack Miller sobre o arrependimento: “Deus não nos chamou para ser advogados em nossa defesa, mas pedintes humilhados diante do trono da graça, se recusando a partir enquanto o pão estiver vindo”. Repentence and the 20th Century Man, 35.
[7] C. John Miller, Repentance and the 20th Century Man (Ft. Washington, PA: Christian Literature Crusade, 1998), 77.
[8] “Em Cristo” é uma designação frequente nos escritos de Paulo (por exemplo: Romanos 8.1; 1 Coríntios 15.58; 2 Coríntios 5.17; Gálatas 3.26) para a nossa união com Cristo.
[9] Colossenses 3.3
[10] Gálatas 2.20
[11] “A tentação para o crente é permitir que sua vida seja cheia de pecados e escorregar de volta aos velhos hábitos da autoafirmação e da autoconfiança. Quando isto acontece, seus ‘arrependimentos’ frequentemente perdem seu poder porque a autoconfiança o levou ao legalismo com a base de sua aceitação por Deus. Sem fé em Cristo, arrependimento, se torna uma simples forma de sossegar a alma chamada remorso”. Miller, Repentance and the 20th Century Man (Ft. Washington, PA: Christian Literature Crusade, 1998), 93.
[12] C. John Miller, Repentance and the 20th Century Man (Ft. Washington, PA: Christian Literature Crusade, 1998), 103.
[13] 1 Tessalonicenses 1.9
[14] Na The Journey (Igreja que Darrin Patrick plantou e pastoreia) fizemos uma série sobre idolatria no outono de 2007. Eu te encorajo a ouvir as pregações desta época para uma reflexão mais profunda neste tópico. Você pode encontra-las em http://journeyon.net/media/transformation.
[15] C. John Miller, Repentance and the 20th Century Man (Ft. Washington, PA: Christian Literature Crusade, 1998), 50.
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Extraído do livro Church Planter por Darrin Patrick, ©2010, capítulo 12. Usado com permissão da Crossway, um ministério de publicações da Good News Publishers, Wheaton, IL 60187,www.crossway.org. Proibida a reprodução sem autorização prévia.
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1 comentários:
Amigo: não seria "A Mensagem da Idolatria" ao invés de "A Mensagem da Idoltaria"?
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